terça-feira, 10 de dezembro de 2013

ataque de ridículo

bate bom senso
postagem apagada
neil gaiman para todos

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

maneirista maneiro

domingo, 1 de dezembro de 2013

para si

quem é que dança aqui?
você
quem veste saia aqui?
você
a resposta pra todas as perguntas do mundo continua sendo Thiago Gallego

isso é bom
isso é tão bom
isso é bom porque
isso é tudo

e quando você estiver em dúvida do que fazer, eu digo:
vai
vai vai
vai vai vai
vai

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Assinar a direção de uma postagem de blog é tão mais fácil.

Dirigido por:
Thiago Gallego.

Quando ser criança não era um problema, todo dia os bonecos de lego uma história nova.
Às vezes era chato. Às vezes acabava mais cedo por falta de audiência Às vezes se estendia e recomeçava em novas temporadas, com personagens mortos renascidos, o mesmo boneco em outro papel, elementos anteriores simplesmente desprezados.
A infância é um HQ de super heróis.

Eu não leio HQs de super heróis. Eu leio Sandman.
Sandman começa e termina quando Neil Gaiman acha que é a hora.
Mas o que dificulta a argumentação:
a) Quando escreve Sandman, Neil Gaiman é uma criança?
b) Se sim, isso significa também Sandman é HQ de super heróis?
c) Existe algo além de infância?

Talvez a grande dificuldade esteja em abraçar o criança.
Talvez eu só seja capaz de dirigir curtas sobre curtas que deram errado.
Talvez essa seja a forma mais covarde de lidar com o mundo.
d) Qual a diferença entre João Moreira Salles e Fellipe Gamarano Barbosa?
e) Qual a diferença entre Laura e Santiago?
f) A metalinguagem é um paradigma ou a afirmação da falta sociológica de talento frente aos povos do candelabro?
g) Eu posso mesmo culpar a luz?

Digamos que eu consiga fazer um filme. Ok. Eu consigo fazer um filme.
Digamos agora que eu consiga escrever um poema que não demande mea culpa.
Oi, eu sou um poema, fui escrito pelo Thiago há 80 anos. Eu sou bonito (ainda que Thiago fosse feio. aos sábados).
h) Existe algo como o princípio de realidade? (ou "ainda é possível acender candelabros?")
i) Existe algo como sublimação do impulso?
j) Existe Freud antes dos burgos? (ou "é desejável acender candelabros?")

Questões todas bobas. Inocentes. Para todas, mesma pergunta, mesma resposta:
Thiago Gallego, o que você fez entre as 21h30 quando chegou em casa e os 0h54 que são agora?
É verdade que você tem que exibir um curta-metragem amanhã entre as 9h e as 11h?
É verdade que, estando incompleta a edição, você se sentou ao facebook?
Você stalkeou o menino que dança? Mesmo sabendo que no fundo quer apenas acreditar em si próprio?

Thiago Gallego, eu condeno teu nome como a resposta a todas as perguntas. De a a j a tudo que a por vir.
Quando se perguntar:
- Por que não sou feliz?
A resposta será: Thiago Gallego.
Quando se perguntar:
- Por que eu dei errado a resposta será Thiago Gallego.

Parabéns,
                 seu ego
dominou
                o mundo.

Deixe que impere. A distopia da-da sobre o cadáver cuspido de dEus.
E reclame, eventualmente, quando doer a garganta.
Não há no mundo algo pior que dor de garganta.

Há no mundo algo pior que dor de garganta?
Thiago Gallego.

é...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

o alcoólatra tomou o ônibus em
direção à lapa
à contragosto
forçado por
dormiu boca
aberta baba
na janela
acordou

era dia
mijado

sorriu transcendente

sábado, 9 de novembro de 2013

Desabafo (ou Insônia (ou Voyeurismo) induzidx)

My name is Lucille and I know how you feel
I live downstairs
I hear you taking out your garbage
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving your girlfriend
I hear you loving yourself too
I hear you flushing your toliet
I hear you turning your thoughts off
I turn mine off too
ou pelo menos tento

LEK

alguma porra de algum dia?
que merda

domingo, 27 de outubro de 2013

ao interlocutor inexistente

vem logo
vem curar teu dengo
que chegou de porre
lá da boemia

lá da boemia

lá da
boemia???
faça-me um favor
vem logo
vem curar
o que não tem cura

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Enquanto/quando me identificar, haverá problema.
Haverá problema.

"{-Mulher... ô mulher...
-Ahn?
-Você ouviu?
-Ahn?
-Ouviu?
-O quê?
-Shshshiuuu...
-Ahn?
-Ouviu?

(Pausa)

-Parece... parece que tem alguém gemendo...
-É...
-Santo deus!
-Shshshiuuu... Fala baixo!
-Não vamos ajudar?
-Ficou doida?
-Mas... tá aqui... bem na porta...
-Fica quieta!
-Ai, meu Deus!

(Pausa)

-Deve ter sido facada.... pelo jeito...
E a gente não vai fazer nada?
-Fazer? Fazer o quê, mulher? Fica quieta... E se tem alguém lá fora?, de tocaia?

(Pausa)

-Parou...
-O quê?
-Parece que parou...
-O quê?
-A gemeção...

(Pausa)

-É... Parou mesmo... Vamos lá agora?
-Não!
-Por quê?
-Porque... porque ainda pode ter alguém lá... E aí? Melhor dormir... Vai... vira pro canto... vira pro canto e dorme... Amanhã... amanhã a gente vê... Amanhã a gente fica sabendo... Dorme... vai...}"

- Luiz Ruffato, Eles eram muitos cavalos

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

E
S
P
E
R
O

P
E
R
O

D
E
S
E
S
P
E
R
O

domingo, 6 de outubro de 2013

águas e estatuária

existe uma pequena diferença
só uma e pequena e diferença
a palavra do íntimo que eu posso brincar e dizer AHAAAA você não imaginava, mas isso é isso certamente é
um poema
um po-e-ma
mamamamamas
quando se trata
e se trata!
de uma história
de uma comunicação
AÇÃO
quando se trata de uma
je ne sais pas
papapapapapara que
insisto em estudar comunicação
movimentação
articulação
quando, veja só,
mergulhei naquele lago na tanzânia
e virei, veja só,
uma estátua

quem irá fotografar essa nova vítima do movimento incauto?

domingo, 22 de setembro de 2013

Revirar as pastas tem dessas coisas.
Que podem não significar nada.
Mas não importa. Não sei o que importa.


*

A história é sobre aquela menina que tinha uma saia. Tinha uma saia e pensava "eu posso dominar o mundo". E de fato podia.
Durante a semana não usava não. "vai que rasga".
Mas se era sábado, era saia! Domingo, então, nem se fala.
Saía pela rua toda brincadeira toda risada e rodava em volta do poste e dizia "i'm siiiiiinging in the rain". Precisava nem estar chovendo, que a tal da saia era tão esperta tão em camadas que farfalhava uma parte com a outra e ficava c’uma cara muito de chuva mesmo.
Quando a saia chegava na pracinha, deitava no balanço, balançava balançava e, bem no alto, pulava pra cair na areia. (pra cair na areia é o que dizem) Porque, tão cheia de pássaros desenhados num azul degradê – do quase branco àquele céu de tempo bom – voava. A menina, coitada, não tinha opção senão voar junto.
A tia desatava a embestar: êta menina, algum dia tu ainda quebra um braço. E onde lá eu vou quebrar braço, Tia? Batendo na nuvem? Batendo no chão! Tu parece que pensavoa. Mas se eu não voo que que foi esse tempão todo lá no alto? Isso se chama pulo, guria, se chama estripulia. Ai, tia, tem gente que voa, tem gente que prefere o chão, mas derrubar os outros é que não cola.

- Tá, e daí?
- E daí o quê?
- O que que aconteceu com a menina a tia a saia?
- E eu lá sei?
-Você tem que parar de contar as histórias sem saber o final.
- Então tá.
- Tá o que?
- Tá que eu já tenho um final.
- E como é?
- Elas morrem.
- Elas quem?
- A menina e a saia.
- E a tia?
- Continua caindo por aí, mas tá viva.
- Mas então por que logo a menina?
- Porque todo mundo morre algum dia.
- E você acha isso justo?
- Cara, quem sou eu pra dizer se é justo ou não?
- Porra, a garota toda na dela, uma história pela frente e você acha que pode simplesmente dizer “ela morreu” e tá tudo bem?
- Tudo o que eu tô dizendo é: quem foi que decidiu que existe coisa como a justiça agindo sobre o mundo? E, sinceramente, não sei dizer se é justo ou não.
- Puta merda, além de cético, você é insensível.
- Vou tentar ser claro: eu jamais disse que caguei para o fato. Óbvio que fico triste de saber que ela não vai mais balançar e voar por aí, ou rodopiar postes ou guardar a saia naquela caixa florida bonita durante a semana pra não acontecer nada. Acontece que desde muito cedo a gente aprende: somos uma coisa que vai estragando com o tempo até quebrar ou cair por acidente.
- Mas ela não era do tipo que cai, ela voava.
- Não faço ideia do que existe no mundo. Até vejo a origem religiosa dos meus pensos, mas sempre desconfiança. Acontece que, apesar disso, eu acredito em alguma coisa e sei, do fundo do fundo, que essa menininha tá bem.
- Você acha mesmo?
- Uhum.
- E como consegue acreditar nisso?
- Seguinte: a gente não entende das coisas do mundo. Não sei se existe a justiça, mas penso assim: existem as coisas boas (e tudo de certa forma, pode ser uma coisa boa nesse mundo de pontos de vista). E de repente acontece algo que nos faz pensar: acabou (eu vi esse filme ontem que terminava com alguém falando “acabou. Palavra estúpida”). Mas, sabe, ela era fantástica, aqui, vai ser fantástica onde quer que esteja. Seja num plano espiritual ou trasmundo qualquer, seja como poeira cósmica que nos compõe ou mesmo retornando pra sempre. E aí já não é nem tanto questão de justiça. É fé.
- Mas o que a gente faz? Como a gente fica?
- A gente só pode amar.
- E a dor?

- Vai lembrar que a gente tem que amar pra sempre.

sábado, 17 de agosto de 2013

Retrato desonesto (rascunho)

estou triste tão triste
e o lugar mais frio do rio é o cigarro
que não fumei é a maconha
que não comprei
é a coragem que não herdei
de quem?

voltemos a onde tudo começou
e disse faça-se a luz: o primeiro erro
naquela sala de portugal meu avô
de pernas abertas paria
a si m
ermo

o médico disse parta-se a luz
que o sol se põe
a cena romântica perdida
corta valeu equipe amanhã gravamos
mas eu aqui preciso terminar
que esse homem não aguenta mais dois
segundos sem se parir

[não faz parte da investigação mas para os curiosos:
no dia seguinte a equipe voltou não havia nada
o drama virou videoarte
fez muito mais sucesso que seu personagem
agora no brasil permitiria]

o homem consigo morto
no colo chega escreve lamentos
versos sonetos
terríveis terríveis
como dói
passa as tardes em casa
aguenta a mulher insuportável
visita a amante que não me contam
sem um pingo de ereção
diz só um segundo, meu amor
estou a providenciar as coisas
         a premir a cartela
         a tomar comprimido
         a bloquear o fluxo sanguíneo no sentido coração
         a morrer
         à toa

um telefonema: filho,
seu avô morreu
Quem: seu avô
O que: morreu
Como: aposentado
Onde: voltando do trabalho
ai, o jornalismo

Sábio meu pai, filólogo
estudioso das tragédias
entende que a culpa
é do oráculo
e não revela-me o futuro

altought nunca venha a ter
esposa amante versos terríveis
algo a mim comove nessa história
o que será?

Pergunto aqui meus queridos
P:
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina
e que se diz ser alguém?

R:
é
um
lapso
sutil

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Em escala de arrogância e egoísmo.
Acima da arrogância.
Acima do egoísmo.
Ali, a solidão.


Ou "Carta escrita mas nunca enviada":

Caramba, Clara, faz tempo eu tinha decidido ia te escrever uma carta. Agora pensei: carta que nada, a boa é escrever logo o roteiro. Mas eu não consigo, eu não acredito em mim.
É um saco e um saco porque eu não posso criticar a população média que assiste comédias românticas. Porque eu vejo Les Chansons d’Amour e no final o Garrel tá sozinho e é uma solidão que a gente nota no corpo e fica mal por ele, mas chega a menina ela chega e leva ele pra casa do garoto, pro quarto do garoto lindo, apaixonado disposto que diz: você deve aceitar eu te amo.
E agora, caralhos, pra entender, ninguém vai surgir me amparar as costas, levar pra casa do garoto e dizer, tá tudo bem.
Eu sou uma criança, eu vivo no princípio de prazer, eu não sei se qualquer dia vou ser capaz de fazer qualquer coisa, eu tô mal.
Faz uma semana e pouco eu tenho bebido todo dia e tava achando engraçado, divertido manter a sequência, arranjar uma desculpa pra beber feito orgulhoso de bater o próprio recorde (nem sei se é recorde mesmo). Daí hoje disse de brincadeira: é quase princípio de alcoolismo e é quase verdade.

E na real não sei por que te escrevi tudo isso. ):

Eu precisava falar com alguém e a ideia de uma pessoa na Itália é o mais distante que consegui chegar. E olha que tem tanta gente tão mais distante a dois cômodos de distância...

(dias outros que não 5-8)

Quando escrever um livro
o nome será sólido
grande

engana
soa menos
repete

*

Idem - mas

Entre eu
e buldogue
a diferença é pouca

buldogue:
arregaça as pernas
balança a bundinha
no meio da rua
prum lado e pro outro

eu:
idem - mas
substitui-se
meio da rua
por latrina


Ah, se todos tivessem
a coragam para abrir
as pernas balançar
bundinha prum lado
pro outro no meio
da rua


*

Não escrevo
poemas faço
piadas

como ninguém
ri a
desculpa

piadas
não faço
poemas escrevo

*

enjambement
do latim
trocadilho

ao som de caetano

(5-8-2013)

Hoje, por duas vezes me perdi. A primeira no teatro a segunda na rua. Não sei qual deliberada qual acidente. Mas nambas um fascínio, suspensão momentânea do medo-corrente. Gozo breve.  tentei mais duma vez escrever o que se passou nas ruas da gávea. Na praça. A solidão redentora. A escrita que resignifica o espaço. A Bahia shuffle bárbara.
Reproduzo apenas o que escrevi no banco caderninho azul-flores entre liberdades. Sem nenhuma intenção estética. E com todas.
Enlouqueci. Enlouqueço cada vez mais. Observo-me atenta e lucidamente enlouquecer.
Que loucura.

*

Liquideus
desisteu
de mim

*

Os loucos
desabrigados
aprenderam
por força
a rua


Os colunistas
guardavam sonhos
filhos
da propriedade
privada priva-
dos sonhos
guardados


Chamo Chile
onde sou
colunista
e louco

*

pépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépépé

               (eu)                                                                 caramba, nem parece
              (banco)                                                                que são dois


*

Há dois anos estudando aqui e nem fazia ideia de que esse lugar é assim.

*

Às vezes eu espero uma coisa tão grande da máquina
do mundo
feito não vejo a planta atrás do poste o mar de ladrilho (pedra
do colonizador) sujo feito não faço carinho no cachorro A MÁQUINA
MEU DEUS A MÁQUINA (isso em nada reduz) está no não ser.
E quantas gotas de álcool revelador deixei derramar à toa
(há seis mil anos o homem vive feliz fazendo vinhos e asneiras)
(há seis mil anos eu jogo vinho fora, veja só, mas que besteira)

*

Contra o machismo linguístico,
usemos todos o vocábulo:
HOMEMA

*

"eu cheguei aqui"
and it's a long road
it's a long way
a lolololololong
way
se quiser continuar

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Outrora escrevi

"Na primeira edição do Bliss não tem Bis, fiz questão de me apresentar como alguém que não é poeta. O Lucas me deu uma baita bronca depois. E eu entendo.
Mas acho que a coisa é a seguinte: quero dizer que nada disso é maduro. Tudo impulso. Uma relação Thiago-papel, Thiago-teclado que acontece mais fácil de madrugada. Porque de madrugada as ideias acumulam no neurótico.
Se eu fizesse análise, seria de madrugada. É por isso que tenho tanta dificuldade em reescrever um poema. Porque antes de poema, é impulso.
Não tô reclamando, nem nada. Até aqui é assim. E é assim.
Acontece que eu escrevo e penso caramba, eu sou incrível. Porque ali eu sou. E nisso algo desvirtua no caminho thiago-papel e a vontade de mostrar pr'alguém.
Mas não se sustenta. Logo vejo caramba, era terrível. E me envergonho e não sei alterar e nem sei se vale a pena."

Em parte, isso é bem claro. Se eu escrevo, é porque ao longo do dia um tanto de coisa fica presa e perturba e pulula. Daí ou eu durmo e espero passar ou deixo vazar sob alguma forma. Então, se é poesia, é preciso ter claro que aqui a poesia é sintoma.
Não sei se qualquer dia me curo.
                          [Por curar não penso inocências, só numa relação menos reprimidoamedrontada com o mundo.]
Não sei se qualquer dia me curo. Mas se curo, certamente não escrevo mais (desse jeito).

Até que soa atraente poesia que não seja solidão.

Investigação acerca da identidade dessa jovem de 16 anos que parece se chamar Ana Cristina

17.10.68
Forma sem norma
Defesa cotidiana
Conteúdo tudo
Abranges uma ana

*

Soneto

Pergunto aqui se sou louca
Quem quem saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
Quem é a loura donzela
Que se chama Ana Cristina

E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

*

Tenho uma folha branca
                                     e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
                                     e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
                                     e limpa à minha espera:

*

Estou atrás

do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra

*

Mancha

Tenho 16 anos
Sou viúva
De família azul
De cabelos esvoaçantes
(E nada rebeldes)
Sou genial sob todos os pontos de vista,
Inclusive de perfil
A poesia é uma mentira, mora.
Pelo menos me tira da verdade relativa
E ativa a circulação consangüínea
A Pedra Filosofal é um tanto ou quanto besta
Plutarcoplatãopauto
Plutãoturcotãopauto
Platocotãopuloplau

Desisto: tenho 16 anos.
E perdi-me agora rabiscando-re.


*

(de "Inéditos e dispersos")

***

Eu, novamente Thiago, declaro: estou encantado.
Sem mais.


É dia chuvisco
e como fisco
peço a deus
devolva o riso
que literatura roubou
dos céus nublados

Em dádiva:
parcelamento
posto usufruo
petit tormento
pra forjar
uns versos

Mas se anuncia
moratória
embargo oração
a oratória
visto mesmo
um em tantos
'seguro faltar
à providência
meu papo
minha demência

domingo, 21 de julho de 2013

Parabel

Fodido é aquele que

domingo, 9 de junho de 2013

Silêncio!
gente demais falando
se bom certo ou errado, pouco importa
só não se ouve, mascaramento o nome disso
ipod, sola, chão e a capacidade de andar
por hora basta
pensar é estar doente dos ouvidos.

-

O ménàge

Hoje eu vou ser tua, mulher
e tu vai ser meu, homem
right about now
the funk soul, brother
check it out now
the funk's all over
Semiconsciência é um estado solitário.

domingo, 2 de junho de 2013

you'll get pie in the sky when you die



Que saudades de desabafar aqui
e dizer coisas como
"não estou bem"
"me sinto sozinho"
"às vezes me acho a construção da ruína"

Pra quê?


Enquanto voltava pra casa pensei nas seguintes postagens.

1ª-  POW
eu

2ª - POW
você

3ª - POW
o mundo

4ª -
Isso é o mais próximo de movimento que chego nessa vida divorciada da vida.



Pra quê?

Boa noite, até logo.

domingo, 12 de maio de 2013

Cadê o sorriso que tava aqui?
O gado comeu.
Cadê o gado?
Morreu.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

sl, cara

e o retrato é o seguinte:
o garoto está frustrado
não fica feliz pelo amigo por recalque
não acredita nos laços que tem
é incapaz de reatar porque é incapaz de reatar porque é incapaz de reatar
quando tudo parecia encaminhado
é um drama queen

queria qualquer ser humano
planta bicho gente
pra dizer como se sente

sabe que essas vontades absurdas são exatamente o problema
o trasmundo
o platão
que horror

o menino grita
em silêncio
sem silenciar
a solidão


que merda, hein?

sábado, 23 de março de 2013

your mind is playing tricks on you, my dear

Era uma vez esse menino
desesperado a chafurdar
letras de música feito coisa
que procura significado.

domingo, 13 de janeiro de 2013

how can i live without hurting everyone that made me?

Tenho pensado muito no meu avô nos últimos dias. Pode ser triste de se dizer, mas doente, me identifiquei muito com ele.

Por que fugi tanto de você?
Porque de repente (foi de repente?) tive tanto medo?
Quando foi que comecei a te chamar de senhor? (senhor é o caralho)



Memória 

Envolve melhor os acontecimentos em presença de culpa.

Lembro, no passado representado (representável?)
o homem velho e cansado
que acorda cedo, senta ao sol e,
velho e cansado,
gasta as primeiras horas do dia em ser alguém que foi
marido
agente secreto
avô
jardineiro
Espanha.

Agora é prolongamento, formalidade.
O quintal precisa ser capinado e a Espanha
já não importa senão como leve sotaque.

De manhã, velho e cansado,
senta ao sol e balança a cabeça
- nunca esquecerei esse gesto no curso do tempo -
como quem já não encontra o que afirmar.

(ou ainda:
De manhã, velho e cansado
senta ao sol, balança a cabeça e me preenche
em memória, arrependimento, identidade.)



(eu te amo, por mais cretino que seja dizer isso agora)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

till you can love yourself

Bato na porta do segundo dia do ano. E ele me diz: vai embora, não queremos você aqui. E qual foi agora, segundo dia do ano? Nós não temos planos, não temos todo um futuro pela frente, não somos muitos e somos fortes we are not what you think we are, we are gooooooooolden? Não, não somos nada ele responde seco e some em passos corredor adentro.


É ridículo como eu fui me sentir assim. Ontem eu gaguejava tanto, cada dia eu gaguejo mais.
Há minutos atrás comecei a chorar e pensar em como parece que a vida já acabou e eu estou condenado (olha só quanto drama) a passar o resto dos dias esperando o fracasso que me espera se concretizar. Já com uma cara blazé, do premonitor, daquele que não se assusta com o futuro.

don't show me please how i'll look in 20 years (eu já sei)

E a minha mãe vem falar comigo e tenho que me esconder nesse monitor pra que não veja as lágrimas, não se preocupe.

Eu tinha umas matérias fodas pra pegar na faculdade, mas também quero fazer análise e pra isso precisaria um estágio.
Porque não dá.
Pra me esconder na Piauí, no Calvino, no que quer que seja. Todos muito legais, mas mas


Engraçado que eu tive alguns pensamentos que me chamaram muito a atenção nos últimos dias. Compartilho:

Era bom tomar cuidado pra não esquecer que uma das principais vias de acesso ao mundo (e de transcendência também) é o amor.
E, no dia a dia, preocupado com o futuro, com o fracasso que posso ser, com as demandas, com a atualização... esqueço de amar; o que também é vida, mas ordinária.
Um dia - e falta tanto até estar pronto pra isso... - quero ser pai.

JuliaClaraChicaBel, eu amo vocês. E vocês não têm noção do quanto tem sido importantes pra mim.

Se uma das vias de acesso ao mundo é o amor, a outra sem sombra de dúvidas é mais pragmática. Do que adianta pegar o 439 e voltar pra casa? Me esconder no quarto? Preciso andar até onde conseguir. Sentir que existe um contato sola do sapato chão. Que existe uma gota de suor escorrendo pelo rosto costas bunda.

O vitor disse que um arranjo de notas é harmônico, o outro não. Comecei a perguntar se isso era universal, o que era ser harmônico e se não era uma coisa ocidental.
QUE SE FODA
Se tem pretensão maior que a de conhecer a música e o que é a harmonia, é a de saber de onde isso vem, elencar todas as formas que existem no mundo e se assenhorar da falta de sentido.
O máximo que eu posso é ouvir o que ele tem a dizer, o que é a harmonia e pensar o que eu posso fazer com isso. (o que é uma conclusão muito Lucas)
Relativizar é, por vezes, a mais fodida busca da verdade por trás das verdades.

Ter conhecido o (ou você,) Pedro (,)  foi uma das coisas mais importantes da minha vida. Não sei se às vezes estou tentando destruir tudo pra me atingir mesmo ou se só não sei lidar com o novo.
Mas quero dizer meu muito absurdamente obrigado. E pedir muitas desculpas por tudo o mais que pode vir, já que sempre dou um jeito diferente de ser babaca.


Engraçado que eu tive alguns pensamentos que me chamaram muito a atenção nos últimos dias, mas todos eles são pontículos e pontículos no meio do vazio. E não acolhem por mais que uns segundos. Tudo aperta. As paredes do quarto apertam muito, muito, muito mais.