quarta-feira, 31 de julho de 2013

Outrora escrevi

"Na primeira edição do Bliss não tem Bis, fiz questão de me apresentar como alguém que não é poeta. O Lucas me deu uma baita bronca depois. E eu entendo.
Mas acho que a coisa é a seguinte: quero dizer que nada disso é maduro. Tudo impulso. Uma relação Thiago-papel, Thiago-teclado que acontece mais fácil de madrugada. Porque de madrugada as ideias acumulam no neurótico.
Se eu fizesse análise, seria de madrugada. É por isso que tenho tanta dificuldade em reescrever um poema. Porque antes de poema, é impulso.
Não tô reclamando, nem nada. Até aqui é assim. E é assim.
Acontece que eu escrevo e penso caramba, eu sou incrível. Porque ali eu sou. E nisso algo desvirtua no caminho thiago-papel e a vontade de mostrar pr'alguém.
Mas não se sustenta. Logo vejo caramba, era terrível. E me envergonho e não sei alterar e nem sei se vale a pena."

Em parte, isso é bem claro. Se eu escrevo, é porque ao longo do dia um tanto de coisa fica presa e perturba e pulula. Daí ou eu durmo e espero passar ou deixo vazar sob alguma forma. Então, se é poesia, é preciso ter claro que aqui a poesia é sintoma.
Não sei se qualquer dia me curo.
                          [Por curar não penso inocências, só numa relação menos reprimidoamedrontada com o mundo.]
Não sei se qualquer dia me curo. Mas se curo, certamente não escrevo mais (desse jeito).

Até que soa atraente poesia que não seja solidão.

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