domingo, 13 de janeiro de 2013

how can i live without hurting everyone that made me?

Tenho pensado muito no meu avô nos últimos dias. Pode ser triste de se dizer, mas doente, me identifiquei muito com ele.

Por que fugi tanto de você?
Porque de repente (foi de repente?) tive tanto medo?
Quando foi que comecei a te chamar de senhor? (senhor é o caralho)



Memória 

Envolve melhor os acontecimentos em presença de culpa.

Lembro, no passado representado (representável?)
o homem velho e cansado
que acorda cedo, senta ao sol e,
velho e cansado,
gasta as primeiras horas do dia em ser alguém que foi
marido
agente secreto
avô
jardineiro
Espanha.

Agora é prolongamento, formalidade.
O quintal precisa ser capinado e a Espanha
já não importa senão como leve sotaque.

De manhã, velho e cansado,
senta ao sol e balança a cabeça
- nunca esquecerei esse gesto no curso do tempo -
como quem já não encontra o que afirmar.

(ou ainda:
De manhã, velho e cansado
senta ao sol, balança a cabeça e me preenche
em memória, arrependimento, identidade.)



(eu te amo, por mais cretino que seja dizer isso agora)

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