sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Quando escrevo sobre um livro que li,
escrevo sobre o que li num livro.
Jamais sobre o que um autor escreveu,
porque leio jamais o que um autor escreveu.
Leio num livro o que leio num livro;
em mais nada elocubração.

Toda leitura é interpretativa, uma vez ouvi.
Toda leitura de lábios é interpretativa
(com som
sem som
com ou sem lábios).
E me vem gente falar transmídia
como quem fala teleporte, classe c, felicidade

Grite relativista quem quiser,
grite chato
que eu respondo,
escrevo,
sobre o que li em relativista
quando os lábios gritaram e eu li relativista.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Hoje eu tava assistindo a Bob Esponja, porque sou muito ocupado, quando uma cena me fez rir tanto que, ainda rindo, eu pensava "cacete, como sou idiota".

Fica guardado na memória (ou fora dela) como paradigma de um humor louvável.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

todo dia é dia

de crise existencial

pse po de o


[Da série pseudo poemas de ocasião]


Rush de emoções
no ônibus - quem diria
o mesmo caminho
posição da luz/calor
(esquerda antes
direita depois
do rebouças), percursos
diferentes.


Primeiro:
leio freitas, sem
fritas, lucas. E
penso o amanhã - how
whalt whitman of
me - o pedido

Angélica,
autografa meu útero?


Segundo:
A possibilidade o
e se cê
tu sa
da lo-u-ca
[censurado - fim]

domingo, 14 de outubro de 2012

CARALHO eu só posso estar na tpm puta que pariu puta que pariu puta que pariu não aguento mais me sentir assim
E EU NÃO QUERO SABER O QUE TÁ ACONTECENDO
SAI
DE
MIM
eu tô muito irritado muito frustrado não consigo lidar com encarar alguém
por que que isso tá acontecendo não faz o menor sentido
eu só quero chorar
eu tô chorando

(um dia eu vou ter o maior dos facepalms por ler registros como esse)
moi, je veux vivre
(mais, parler français, cet je ne fait pas trop de question)

sábado, 13 de outubro de 2012

Cansei das multidões
e dos barulhos que elas fazem
do tlec tlec dos talheres
do blrblrblrblr das falas
a repetição - o eterno
refrão.

Me fatigam as cores que elas têm
Chega! Che-
ga, Tudo preto agora, se
dependesse de mim - nem
branco, esse luxo, supérfluo. Decreto
o fim
do pavão.

Os outros três sentidos pro raio
que os parta junto, que cansei das multidões
e das listas que elas fazem
mas sobre
        tudo cansei d'
o tilintar eterno - ele
que jamais se cansa, ai
de mim [trágico
porque poeta ou poeta porque
Poeta?] -
da existência.


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você sente a sintonia com o mundo quando, depois de escrever isso, começa um ioga louco.

Distopias

Dos cupins

A estante
foi s'embora
num instante.

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Da pechincha

Seja qual for o filtro
o mundo
(o Brasil, DaMatta?)
               congelado
num aplicativo de celular.

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Do seminário

O amor (caduco)
morreu na mesma
mesa que HOBSBAWN
e CAMARGO 2012.

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Teria uma quarta e última que começaria com "A vida"
continuaria em "foi s'embora, congelou / morrreu" - versos riscados.
Não rolou vibe pra continuar.

Fosse Michelangelo a esculpir
a mulher, eu não teria
problemas com a heterossexualidade.

Resultado de uma revisão

eu gosto muito disso aqui.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

ya no me gusta

a poesia homem cade você viu
desapareceu nem sinal já olhei tudo em baixo do tapete
persa na cabeça do século no coração
da miséria
vixe

menino

não te contei pobrezinha
foi fatal um golpe de mestre sem dó
nem piedade morreu
ao primeiro like

epitáfio pessoa


Se eu for um fracasso na vida, tomem como forma de protesto: só não queria muitas notas na imprensa depois de morto.

Fica menos triste visto por esse lado.