sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

It's oh, so quiet

Quando o discurso já não é recebido naturalmente.
Me sinto de volta aos velhos tempos.
Mas dessa vez não é tudo fruto da minha imaginação.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Fico pensando em tudo o que eu posso ter feito errado.
E em como eu não queria que fosse tão difícil.
E no quanto eu quero falar com você.

Desculpa. ):

sábado, 24 de dezembro de 2011


Nada tá acabando.
E nada de novo tá começando.
Não importa o que vocês façam.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Projeto misoginia 2011

até agora tudo nos conformes.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Eureca!

Está feita a top final extra multi pluri merda suprema.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Hau"


Curioso retrato dessa tarde:
No copo parcialmente cheio d’água morna, despejei um pouco da água em garrafa que fica na geladeira. Acontece que, no impacto, no choque das águas, uma gota mais fraca não resistiu, saltou o copo e tombou na mesa.
Foi belo, mas parecia acabado.
Eis que quando agarro o copo com sede civilizada, o indicador direito, em raspagem, resgata a pequena poça náufraga. Entendi, então, o que deveria ser feito.
Sem deixar cair outra vez minha vítima, derramei dois goles em toda a água; peguei de esquerda a garrafa - agora meio copo vazia – e pus em baixo do filtro. Com o indicador direito recém umedecido, molhei o botão antes de rotacioná-lo e, garrafa novamente cheia, devolver ao sistema o equilíbrio.
Harmonia instaurada, volto ao menino Mauss e à prova de amanhã.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Caramba, Tatiana... Tivéssemos namorado e eu não pensaria tanto no que aconteceu com a gente.

blasé

Betinho Caeiro e "Primavera, verão, outono, inverno... e primavera" me deixaram assim...

sábado, 10 de dezembro de 2011

let's go get lost, let's go get lost

Road trippin' with my two favorite allies.
Fully loaded we got snacks and supplies,
It's time to leave this town, it's time to steal away.
Às vezes, lendo esse blog, me sinto tão tosquinho.
Foi um dia muito bacana,
mas essa sensação de incompletude
d'onde vem?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

coffee and drugs (in the pug's mug)

Saudades (mentira, necessidade) desses enormes posts Thiago-deprecia-Thiago.


Começa tudo naquele(s) sonho(s). Eu preciso muito andar minhas pernas. Seja por estar atrasado pra faculdade ou por estar com medo das ausências da rua em noite.
Elas, no entanto, não obedecem. São lentas, rastejam no ar. Não como se algo em mim relutasse. Não há conflito civil na psique - ou se há, não é o que o silencia o movimento.

Ou quando, na prova oral, o absurdo diante dos olhos não é absurdo diante dos olhos. "Isso é muito legal", "dessa eu não gosto", eu digo. Os sofás flutuam, mas estamos de pé, e você gosta de delicados.

Montei acampamento na superfície e ali estagnei. Já me importa muito menos o que alguém pensa diante do que sua aparência me faz pensar. Cada conquista numa das 18 direções janvriermente definidas - bem como em quaisquer outras - foi abdicada
em prol de índices tais como já foram coffee pugs mugs drugs.
E, nesses 150 anos de projeto moderno, mal resplandeço sob o signo calamitoso duma interface triunfal.

Cada passo é procura por uma reviravolta - que nunca reviravoltou -
provavelmente inincontrável nos termos dessa busca.
Talvez se tirar as aspas.
Talvez se limpar o campo, fechar o google-wikipédia-facebook.
Talvez em mim.
["CLICHÊÊÊêeêÊÊÊÊÊeÊ" - Gritou a torcida]
Mas, sim.
Só.

Daí a tela começa a escurecer. Eu estou completamente despido andando por um beco à noite enquanto Tommy Gnosis canta Wicked Little Town.
E talvez não tenha nada no céu, senão ar.
Nem traçado místico algum.
E nada para encontrar que não possa ser encontrado.
Pelo visto o estranho sou sempre eu.

Amódio

conciso e completo.

dos requisitos

"Alguns estudiosos afirmam que grandes personalidades da História possuíam fortes traços da síndrome de Asperger, como os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, o compositor Mozart, os filósofos Sócrates e Wittgenstein, o naturalista Charles Darwin, o pintor renascentista Michelangelo, os cineastas Stanley Kubrick, Andy Warhol e Tim Burton e o enxadrista/xadrezista Bobby Fischer."


Fonte (de todo o saber humano): Wikipédia

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Assalto

-Ow, continua andando.
-Hã?
-Vai, tem mais dois caras vindo aqui atrás.
-Quê?
-Só pega o telefone.
-...
-Você sabe que ônibus eu
-Não.

Inventaire

Uma prova*
Duas faltas dolorosas
Três e-mails absurdos
Dois foras em três minutos
Dez ideias proteladas
Catorze dias blasé
Vinte e Seis aulas assistidas
Trinta e duas páginas de caderno
Quarenta e nove surtos
Cinquenta e cinco constrangimentos

Pra tudo se acabar na quarta feira.



* Valores distanciados

terça-feira, 29 de novembro de 2011

That awkward moment when:
Percebo que eu devia ter estudado ciência política esse semestre porque
1) minha formação já está deficiente todavida;
2) a matéria é bem interessante;
3) existe algo de atraente no estado de natureza hobbesiano.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ave
Ria
Um
Hmn
?


Ainda (ou "de novo", sei lá) acho que preciso de um psicólogo.

sábado, 26 de novembro de 2011

Nós nos curvamos, Somevhere

Tudo deu errado.

E eu não consigo mais escrever aqui.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Álbum de fotos

O tempo é estranho demais.
Mal consigo acreditar que o menininho nas fotos sou eu.
Talvez não seja mesmo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

lá vem o verão...

http://g1.globo.com/videos/jornal-hoje/t/culinaria/v/aprenda-a-fazer-uma-deliciosa-mistura-de-frutas-com-iogurte-ou-sorvete/1674094/
...cheio de paixão.

fiquei com água na boca e precisava guardar em algum lugar até minha garganta ficar boa heh

I'm a fool, you see...

Minha relação com Pearl Jam é toda ao contrário.
Primeiro veio o filme.
Depois o show.
Agora me meto nas músicas.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011


"Apesar disso - escutem bem - todos os homens
Matam a coisa amada;
Com galanteio alguns o fazem, enquanto outros
Com face amargurada;
Os covardes o fazem com um beijo,
Os bravos, com a espada!" OW

terça-feira, 25 de outubro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

Não consigo parar de ouvir e reouvir e de novo e de novo e ouço e desouço e ah


And if we don't behave
They'll cut us down again
We'll be hopping around on one foot
And looking through one eye

muitomuitomuitomuitomuitobom

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

dia após dia
eu orbito

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Que merda de nova era...

p.s.:

Eu tinha que te matar. Estava escrito

no envelope que me entregaram. Estava escrito

“eu tinha que te matar” no envelope que me entregaram.

Perceba que, fosse outra a posição das aspas,

eu teria te matado

no envelope que me entregaram. Perceba que,

fosse outra a posição das aspas, matar seria “guardar

para sempre

no envelope”. Perceba que,

fosse outra a posição das aspas, eu não estaria

chorando.


Em que tragédia grega eu seria

descrito estranhíssimo

Prometeu

(prometi?)

pros alunos da PUC?


Em que tragédia grega o herói precisa matar

aquilo que não quer

matar? Qual é aquela em que o herói precisa matar

aquilo que quer

matar?


Tem a Bíblia.

O cara precisa matar

o filho. Não é Deus

- o pai, digo, não o filho. Não é Deus o pai.

O cara tem que matar o filho e não mata porque Deus

- que é o pai do filho

que não é o filho cujo pai

que tem que matar o filho

tem que matar –

impede. Porque Deus às vezes

parece esquizofrênico.


Não importa, porque

a Bíblia, a despeito de qual seja sua origem,

não é exatamente uma tragédia grega.

Minha vida também

não. E, talvez

, essa seja minha única chance.

sábado, 10 de setembro de 2011

Fim do flood

e início de uma nova era.



Mentira.
[player de Funny Little Frog - God help the girl]

O termo “amor platônico” remete de imediato ao quão difícil será haver reciprocidade.

Às vezes queria poder anular o que eu sinto.

Mas tenho certeza de que no primeiro sopro de presença tudo começaria novamente.

And I’ll maybe tell you all about it someday.


(tumblr)

hihihihihih <3

  • A: Não precisa inventar desculpas, sou eu.
  • B: Não era desculpa... Não era... Não...
  • A: ...
  • B: Sim, sou patético.
  • A: Não é patético. Se chama apaixonado, na verdade.
  • B: Não gosto do som desse termo.
  • A: Bixinha.

(tumblr)

O bêbado, o cigano e o duro combate às forças do mal

Andava trôpego pela rua, o bêbado.

A cena que se prosseguiria não escapava da vista da minha janela.

Foi ali, onde duas ruas se cruzavam, à frente do poste de iluminação já apagado e abaixo do anúncio do cigano que prometia trazer seu amado em sete dias ou, ao menos, um sorriso. Prometia, porque, morto, já não promete mais nada. Morto, também não retira o anúncio do poste.

Não foi o anúncio, porém, que chamou a atenção do beberrão, mas a refeição completa que se dispunha a sua frente, com talheres e guardanapo de pano, uma taça de cristal acompanhada por uma garrafa de vinho e, no prato, peixe ou frango, senão, o que hoje em dia não é muito difícil, qualquer outra besteira feita de soja. Aquela oferenda a algum santo, orixá, força mística ou, porque não, uma simples refeição adiada por motivo de força maior, perturbou o homem como nenhuma outra coisa seria capaz.

-É o Capeta! Satanás! O Trava-Rua! – Bradava enquanto tentava chutar o prato, sempre seguido de falha devido ao efeito do álcool ou, nunca se sabe, a proteção da força mística que envolvia aquele peixe/frango/soja. – É o Monstro! O Anjo Caído! O Abominável!

Cansado de não acertar nenhum chute, o bêbado arrancou o único tênis que trazia nos pés e atirou contra a oferenda. Não teve sucesso. Repetiu o processo com o sinto já desafivelado. O resultado não foi diferente.

- Não pode me deter! –Gritava ainda mais alto.

Atirou a blusa, as calças, nem mesmo a cueca permanecera-lhe no corpo.

-É Obama! A Rede Globo! O fim dos tempos!

Já desesperado pela dificuldade encontrada no combate ao mal desatou a chorar. Enquanto derramava suas lágrimas não viu o poste com a foto do velho cigano se aproximar de sua cabeça, apenas sentiu o impacto que o levou ao chão. Seu coco de dimensões avantajadas partiu o prato em alguns pedaços.

Estendido no chão da rua, confortavelmente ajustado a um travesseiro de sangue jazia o louco nu. Não viveu muito mais que o tempo necessário para rearranjar os dentes num sorriso, tinha cumprido sua missão afinal.

O mais curioso em toda essa estória, é o velho cigano ser morto o suficiente para não poder arrancar aquele anúncio, mas, morto, continuar a construir sorrisos. Quanta hipocrisia.


(tumblr)

Deu saudades de ter onde vomitar meus surtos não muito apegados ao desgosto que sentirei ao relê-los.

Foi assim que lembrei que isso aqui existia.


(tumblr)

Ser

é

era

é (tênue demais para ser certo)

era

é

era (certo demais para ser tênue)

é

era

foi?


(tumblr)

Esse sou eu surtando e decidindo que preciso de um emprego, estágio ou qualquer fonte de renda que não envolva a venda do meu corpo (ou não).

(tumblr)

Me foi retirado o apêndice. Se faz preciso fletir.

E refletir.


(tumblr)


Como que incendiada, a fachada do prédio mostrava sua verdadeira face, decrépita. Ninguém pelos corredores, muitas cinzas como indício do preenchimento de outrora. A fumaça sufocava. Os sons sufocavam mais. Vinham de toda parte.
Não diziam meu nome.
Estou mesmo vivo?
Isso faz alguma diferença?

(tumblr)
“Excêntrico é quem encontra, na loucura, uma maneira de permanecer são."


(tumblr)

evolutionism

  • Juliana: anything can happen!
  • Juliano: Super... specially when you suffer several clados!

(tumblr)

sms

“27/05/2010 11:46

Carolina Aleixo

Qui qui qui qui não é qui qui qui

Algumas pessoas me sabem tão bem, mesmo de longe. ;-;

Não tão longe.

Distante, ainda assim.


(tumblr)

Fodido por definição

Quando nasci um anjo torto
desses que vive na sombra
disse: Vai, Thiago! Ser gauche na vida.

Eu fui.


(tumblr)

  • Isadora: Pena que ele é gay.
  • Thiago: Por quê?
  • Isadora: Já apareceu com dois cortes de cabelo diferentes e conseguiu ficar bonito com os dois.

(tumblr)

Fico perplexo quando percebo ser verdade aquilo de que “se critica em alguém um defeito que se encontre em si” - ou qualquer coisa de valor similar.

Mas foda-se, vou continuar reclamando pra gente que não se interessa por ler, porque sou bem desses.


(tumblr)

E me irrito facilmente quando falam comigo como se fosse idiota.

Ainda que eu venha a ser.


(tumblr)

Detesto essas paixões efêmeras.

Ou essa necessidade absurda de exaltar, em forma de amor, um gostar como qualquer outro deveria ser.

Mas eu realmente amei esse brownie orgânico.


(tumblr)

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2010/08/onibus-do-rio-vao-circular-com-poesias-de-autores-consagrados.html

Em pensar que Pati Rocha, Tati e eu já fazíamos isso me sinto muito underground.


(tumblr)

TROQUEI DE CHAVEIRO.

E agora não sei o que fazer.


(tumblr)

Editorial

Eu ODEIO o tumblr.

continua nos comentários...

que merda, isso aqui tá parecendo o tumblr

porque eu também posso ficar insatisfeito com o conteúdo que exibo para mim mesmo

vou tentar a porra toda

"Ten decisions shape your life
You'll be aware of five about
Seven ways to go trough school
either you're noticed or left out"

"There is a time when we all fail
Some people take it pretty well
some take it all out on themselves
Some, they just take it out on friends
Oh everybody plays the game
And if you don't, you're called insane"

Jorge F(s)urtado

‎"sabiam que a arte é ficção e que o teatro tem a ver com a vida real por outros motivos que não a verossimilhança."

"Um amor 'dar certo' é um conceito que muda de tempos em tempos de lugar para lugar. Nos últimos cem anos, no Ocidente, criou-se um consenso de que um amor 'dar certo' significa monogamia eterna com prazer sexual, casar com uma só pessoa pela qual se está apaixonado e ser-lhe fiel e apaixonado até que a morte os separe. (...) Casamento e paixão eterna ao mesmo tempo é uma idéia recente e que só pegou em alguns lugares do planeta, como o futebol de sabão."

"Não sei se é possível imaginar a comicidade destes diálogos para uma platéia do século XVI, talvez tivessem o mesmo efeito das músicas do Genival Lacerda ('Lá tem culpa todo mundo, seu doutor, lá só não tem culpa eu...') ou de Tati Quebra-barraco ('Se você tiver coragem de conhecer a horta, vai vender caqui, cabô caqui tu vai embora...')."

"Criar com alguém é uma enorme intimidade, um equivalente mental do sexo."

Leila Diniz

"Morreu num acidente aéreo (...) quando voltava de uma viagem a Austrália.
(...)
Um cunhado advogado se dirigiu a Nova Délhi, na Índia, local do desastre, para tratar dos restos mortais da atriz. Acabou encontrando um diário que continha diversas anotações e uma última frase, que provavelmente estava se referindo ao acidente: Está acontecendo alguma coisa muito es...."

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Pablito

‎"Qué aprendió el árbol de la tierra
para conversar con el cielo?"


"Dónde está el niño que yo fui,
sigue adentro de mí o se fue?

Sabe que no lo quise nunca
y que tampoco me quería?

Por qué anduvimos tanto tiempo
creciendo para separarnos?

Por qué no morimos los dos
cuando mi infancia se murió?

Y si el alma se me cayó
por qué me sigue el esqueleto?"


"Dónde van las cosas del sueño?
Se van al sueño de los otros?

Y el padre que vive en los sueños
vuelve a morir cuando despiertas?"

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Talvez o problema esteja em acreditar que a vida tem que ter significado.
Que devemos estar aqui pra "viver".
Porra nenhuma.
Talvez estejamos aqui só pra "lutar [argh] pela vida" e depois morrer. Feito qualquer outra parte da natureza.
E, então, essa ideia de aproveitar, fazer algo de bom, seja só coisa disso que nos atrevemos a chamar, como se fosse legal, de intelecto.

Mas ousarei desenvolver essa ideia somente como último recurso. Seja o atraso bom ou não.

eu entendo os utópicos, idealistas etc etc

juro

All we are saying

Escrevi "give peace a chance" numa parte do quarto.
Mas bem fraquinho. Pra que
quando desbotar a tinta
precise retocar a ideia.

sábado, 25 de junho de 2011

Autorretrato

Ela desceu do trem, a menina Carolina. Talvez o barulho que as rodas da mala faziam com o chão não a permitissem ver o que acontecia logo ao lado. Ou era só a música na cabeça que era tanta, mas tanta, feito coisa que tapava tudo o que havia pela frente.

E assim desligada acabou se metendo por lá. Subiu no trem do outro lado da plataforma e as cabeças luminosas não se moveram nem. Todas brilhavam de um jeito que lábio olho nariz cabelo eram uma luz só. E Carolina com toda aquela música na frente não chegava a ter os olhos irritados.

Esboçou uns passos pelo corredor, cansou e sentou-se em frente a um brilhante de paletó.

- So how about it?

- Show me please how I will look in twenty years – ela completou; ainda que parecesse antes estar falando consigo mesma que respondendo a alguém.

E o trem partiu.

Ela não via, a menina, aquilo que se passava pela janela. Tanto melhor: visse e nada mais pareceria real.

O trem parou bruscamente e tudo quanto podia foi pra frente. Cabelo, coluna, óculos. Mas nada tanto quanto a música. E se fez silêncio.

O homem de paletó colocou os óculos de volta no rosto de Carolina que já podia ver tudo: o trem não diferia muito daquele do qual acabara de sair, exceto pelos luminosos sentados em cada mesa: um em frente ao outro. Em silêncio. Aquele à sua frente parecia muito simpático, embora a única coisa que o distinguisse dos demais fosse a roupa. Tinha uma das mãos sobre seu braço direito apoiado à mesa. Era confortável.

- Fez uma boa viagem? – Ele perguntou.

- Eu não estava contigo? – Ela respondeu.

- Antes de chegar aqui, gracinha... Achei que não chegaria nunca, perdi a conta de quantas vezes já fui e voltei.

- Desculpa.

Ela nunca entendeu porque estava se desculpando, mas achava a coisa mais certa a se fazer – ainda acha.

-Vamos descer.

E eles foram de mãos dadas. Não pegaram as malas, Carolina já nem lembrava mais em que momento havia se separado da sua.

Caminharam por tempo de se perder a conta sobre aquele rosto. Fizeram toda a trilha labial, sentaram em algumas das poucas espinhas para conversar – ele era tão agradável -, passaram horas admirando aqueles olhos, até que, feito onda, se fecharam com sua espuma de cílios.

Nada se comparava, porém, à vista que tiveram quando escalaram o nariz. Tão bonito. Tão bonita. De lá ela via tudo. E entendia cada marca, cada traço. Vislumbrava os sorrisos já apagados e as lágrimas já secas. Sentia as coceiras quase que na pele e ouvia cada segredo sussurrado no ouvido. E na boca.

Narrava tudo para ele, que muito menos conseguia ver. Como era doce a menina Carolina e como era doce a mulher Carolina.

E as estórias que ela contava... Ele se empolgava de vez em quando e brilhava um pouco mais intenso. Por vezes baixava um pouco a luz e lhe dava um abraço paletó. Ela tinha um jeito tão gostoso de contar, tão dela, tão ela.

Não se preocuparam com horários e atrasos, simplesmente souberam quando era hora de voltar. Deitados na planície da testa ele perguntou:

- E o que você achou?

- Não sei.

- Ah.

Ela não parecia desapontada. Empolgada também não estava.

- Eu não sei mesmo. Quer dizer, não estou preocupada. Foi tão – e disse esse tão tão sincero -bom vir aqui, te ver depois desse tempo todo.

- Eu também gostei. Ah, tive tantas saudades...

- Não sei se isso é felicidade, não sei se consigo ser feliz.

- Carolina...

- É sério... não estou reclamando. Estou bem. – E sorriu.

Ele brilhava por dentro mais intensamente que por fora.

-Então vamos, fofinha.

Deram as mãos e mergulharam nos cabelos. Fios e mais fios e mais fios lembravam aquelas linhas que ela fazia em tudo quanto era lugar. E caíam. E escorregavam nas linhas até chegar.

Carolina acordou num dia normal. Comeu um pão normal. Falou coisas normais com a mãe.

E não se surpreendeu quando, ao se ver no espelho, era toda luz e óculos.