sexta-feira, 30 de maio de 2008

Em nome da amizade ^^

Prezados leitores, antes de mais nada gostaria de desejar-lhes uma boa noite independente da hora que seja e dizer que minha demora para postar agora não tem nenhum motivo concreto. Tempo até que tenho tido bastante por enquanto, mas toda vez que começo a escrever algo acabo escrevendo coisas muito pessoais e ao mesmo tempo que gostaria que as pessoas lessem a censura interna acaba sendo mais forte e acho que todo mundo compreende isso neh?! xD E quando eu vejo que não posso mostrar para ninguém eu paro de escrever, porque eu acho que se não dá pra mostrar pra ninguém, nem que seja para a pessoa odiar não vale à pena escrever. De certa forma eu admiro aqueles que escrevem puramente por satisfação pessoal, mas não consigo, não sei fazer isso.

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Amizades

Sempre fora assim, minha vida. Uma série de amizades que foram ficando distantes. Amizades cada vez menos constantes.

A gente muda de casa, muda de escola, muda de jeito e parece que as pessoas vão sumindo. Pessoas que eu via todo dia e cuja companhia eu sempre adorei ter deixam de fazer parte da minha vida e muitas vezes a culpa é minha. Os amigos do antigo prédio do antigo curso ou da antiga escola. Aqueles que ficaram e aqueles que foram. Uma distância ridiculamente superficial, mas que, para alguém sem muita iniciativa pode equivaler a quilômetros.

É aí que eu mergulho nas memórias e me perco na saudade. Aqueles dias tão bobos, simples que com o tempo e distância foram se tornando tão especiais. Aquela época que não volta jamais.

Encontro no dormir um momento para voltar a ver meus amigos. Acordo e a dor de saber que nada daquilo foi real e provavelmente nunca será ofusca todos os bons momentos dos sonhos. Começo então a revirar minhas tralhas e encontro uma carta que um amigo me escreveu. Percebo que na simplicidade da criança e na beleza da amizade nunca consideramos a possibilidade d'aquilo acabar. E é em meio a lágrimas que demonstro minha indignação em relação ao futuro. Um futuro tão distante das perspectivas inocentes de uma criança.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Outro retorno

Sobre o texto em si, só tenho a dizer que me inspirei de certa forma, num livro que nunca li na minha vida. :B

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Governanta

A porta do taxi se abriu e ela desceu. Imaginava seria apenas mais uma, nunca esperei que fosse mudar a minha vida. Laura era seu nome. "Mas pode me chamar de Berê" me diria mais tarde. Fechei a cortina novamente e voltei ao videogame, sabia que ela se apresentaria aos meus pais e eles logo viriam apresentá-la a mim. Mas não me importava muito, nunca me importei, nunca gostei muito delas. Se instalavam em nossa casa sem nunca nos ter visto antes, cuidaria de mim e de alguns assuntos da casa para no final do mês ter seu pagamento. Não era nada pessoal, mas nunca achei que fosse um emprego para um ser humano, quer dizer, ela teria que cuidar de mim e da casa como mesmo zelo como se não houvesse diferenciação de um para outro. Talvez não houvesse mesmo, mas é desesperador considerar essa hipótese, até porque a casa não tem sentimentos, não acho que ela ficaria triste se eu recebesse só um pouco mais de atenção. Não era como acontecia com meus pais. Todos sabiam que eles preferiam o trabalho a mim. Isso não era reconfortante, claro, mas era bom saber, ao menos, que eles eram humanos.

Já estava atrasada no dia seguinte quando veio me acordar. Encontrou-me pronto.

-Bom dia Julian! Acabei dormindo demais, desculpe – Ela disse, de forma tão leviana que me irritou. Não se preocupava se eu perderia a hora ou não.

-Tudo bem, já estou pronto. – Respondi fingindo não dar a mínima.

De início ficou apenas me observando como se não soubesse o que dizer. Até que esboçou um sorrisinho e deu uma piscadela. Então se retirou. Não entendi muito bem. Ela estava conseguindo me intrigar. Talvez fosse proposital, mas nenhuma havia feito isso antes e, embora não soubesse o porquê, eu estava gostando.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Retorno

Prezados leitores.
Antes de mais nada gostaria de me desculpar pelo longo tempo sem novas postagens. Em parte estive enrolado. Em parte não tive inspiração, em parte tive preguiça. Mas agora, realmente, não estou tendo tempoo acabei de passar por uma semana com bilhões de testes e estou entrando em semana de provas, mas quem diria que em meio aos trabalhos eu acabaria sendo obrigado a escrever?! Então resolvi aproveitar e postar. Até porque adorei escrever de novo, mesmo tendo ficado horrível xD
Era um trabalho de filosofia, a proposta era escrever um mito e a idéia que a professora deu era que o mito fosse relacionado ao rio de janeiro, tema do projeto da folha dirigida de 2008, para poder selecionar algumas histórias para o livro. Eu estava até contente com a minha redação, até que alguém leu a sua e estava tão boa que eu me senti um lixo u.u mesmo assim adorei ter escrito e vou postar =P

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Texto 3

Latido de Janeiro

Ser um deus nunca havia sido muito agradável. Caos era só. Seu trabalho era criar e cuidar. De início criava apenas “coisas”: montanhas, lagos, cachoeiras e, sempre que queria “mexer” nelas, o fazia por meio de ventos, tremores de terra, ou seja, intermédio da natureza. Mas sempre soube que algum dia, isso se tornaria chato.

Esse dia chegou. E foi tomado pelo tédio que teve a idéia de implantar em criar coisas com pedaços de si próprio dentro. Como resultado obteve aquilo que hoje conhecemos por vida. Foi aperfeiçoando seus seres cada vez mais e adorava ver a forma como resolviam seus problemas. Achava divertido colocá-los em situações diferentes só para ver como sairiam, afinal eles tinham apenas parte de um deus, não eram um. Como aquilo era divertido...

O tempo foi passando, e embora sua “vida” não fosse mais tão tediosa, agora sofria de um mal diferente. Solidão. Seus seres eram engraçados, mas eram ingratos. No curto período em que a parte de caos sobrevivia fora do todo os seres só se preocupavam em alimentar seus desejos. E aquele que os havia criado com um pedaço de si próprio? Já haviam tentado conversar com ele? Já haviam notado sua presença, ou será que não era muito importante? E foi em meio a essa revolta que resolveu acabar com a vida, acabar com as coisas destruir de uma vez por todas o planeta do qual cuidava.

Mas um som inesperado interrompeu seu plano. Era um latido. Mas não um latido comum, aquele era direcionado, aquele latido era para Caos. Pela primeira vez um ser se dirigia a ele. E foi assim, tão de repente como o som, que esqueceu seu remorso e perdeu sua cólera. E dedicou todo o seu tempo a seu novo amigo. Como estava feliz, como era bom. Um cachorro e seu deus, um deus e deu cachorro. Dois amigos.





E foi inebriado de felicidade que Caos deixou de se atentar ao inevitável problema que viria a enfrentar. O Cão não era como ele. O cão era mortal e foi justamente por isso, que este abandonou a vida. Foi justamente por isso que o cão abandonou seu amigo, mergulhando este numa eterna tristeza. Mergulhando a Terra numa eterna tristeza.

Tentando entender o ar de tristeza que os envolvia, os seres pela primeira vez conseguiram ver seu deus. Tentaram ajudá-lo. Aliviar sua dor, mas já era tarde. As coisas nunca mais seriam as mesmas. Caos nem mais olhava para os seres, não via nada, apenas a morte do único ser a quem amou. Precisava se livrara daquela dor.

Até que chegou a conclusão de que a única forma de esquecer a tristeza, era livrar-se de todo o amor que sentia. Mas onde o depositaria? Achou um lugar até então vazio e lá, deixou todo o seu amor e junto com ele todas as suas memórias.

Mais tarde conhecida como cidade maravilhosa, uma cidade criada unicamente pelo amor, uma cidade que curiosamente tem a forma de um cachorro. Foi ali que Caos deixou seu mais nobre sentimento.

Ser um deus era novamente uma fonte de tédio. Agora que a tristeza não mais acontecia, muitos seres voltaram a ignorar a presença de caos, é claro que muitos ainda tentam divulgar, mas nenhum se dirigia a ele. Mas isso não importava pois ele descobriu um lugar onde esquecia sua tristeza ou fúria e era tomado por um sentimento muito bom, algo familiar, mas que não sabia explicar. Caos estava provando do próprio amor.

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Grande abraço a todos.