quarta-feira, 31 de julho de 2013

Investigação acerca da identidade dessa jovem de 16 anos que parece se chamar Ana Cristina

17.10.68
Forma sem norma
Defesa cotidiana
Conteúdo tudo
Abranges uma ana

*

Soneto

Pergunto aqui se sou louca
Quem quem saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
Quem é a loura donzela
Que se chama Ana Cristina

E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

*

Tenho uma folha branca
                                     e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
                                     e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
                                     e limpa à minha espera:

*

Estou atrás

do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra

*

Mancha

Tenho 16 anos
Sou viúva
De família azul
De cabelos esvoaçantes
(E nada rebeldes)
Sou genial sob todos os pontos de vista,
Inclusive de perfil
A poesia é uma mentira, mora.
Pelo menos me tira da verdade relativa
E ativa a circulação consangüínea
A Pedra Filosofal é um tanto ou quanto besta
Plutarcoplatãopauto
Plutãoturcotãopauto
Platocotãopuloplau

Desisto: tenho 16 anos.
E perdi-me agora rabiscando-re.


*

(de "Inéditos e dispersos")

***

Eu, novamente Thiago, declaro: estou encantado.
Sem mais.


Nenhum comentário: