domingo, 31 de agosto de 2008

Sonhos

Palácio dos Sonhos Perdidos

Os dias passavam despercebidos, ofuscados pelo descontentamento. Normalmente a vida era assim, no palácio dos sonhos perdidos. Ela estava lá, fazendo companhia às abelhas enquanto andava de um lado para o outro com o olhar sem rumo que conservava a anos. Até que finalmente veio a Morte.

- Veio rir mais um pouco da minha desgraça?

- Rir? Já me diverti o bastante, devo admitir. – Disse a Morte enquanto olhava para as cicatrizes no corpo da moça.

- Porque não me levou antes.

- Foi tu mesma quem me pediste, não te recordas? Aliás, estava tão feliz, sorriso na face, rumo no olhar... O que te deixaste nesse estado?

Enquanto a morte caia na gargalhada, a moça tentava conter seu pranto.

- Nós estávamos felizes juntas. Pela primeira vez eu entendi o que era amor de verdade. Deixei até de ligar para o que os outros pensam, tínhamos planos, eu finalmente tinha algo no que acreditar. Então veio você.

- E o que de errado eu fiz?! Me imploraste por tempo, dei-te tempo de sobra para prosseguir com tua felicidade. Mas eu tinha que cumprir minha meta, tinha que levar mais alguém naquele dia.

- Essa era a sua intenção desde o início, nunca pretendera me dar uma chance não foi?!

- Não sou de planejar as coisas, ela estava por perto na hora, tu tinhas pedido para ficar... Teu problema é da alçada do Destino, não me pertence. Tem gente que ele não quer que seja feliz, entendes?!

- Mas então porque não me levou quando quis ir?

- Fala dessas cicatrizes aí?! Eu disse que ia te dar tempo e dei, se resolveste desistir no meio do percurso não foi culpa minha.

- Você gosta de ver sofrimento não gosta?

- Quando se tem a minha idade, acaba sendo inevitável se deixar levar pela insanidade e pelo sadismo, esperava que fosses capaz de compreender...

- Vamos ou não?!

- O telefone está tocando, ainda há tempo de atender.

- Estou prestes a morrer! Quem liga para os clientes?

Mas a morte já estava com o telefone no ouvido.

- Aí é do Palácio dos Sonhos? – perguntou a pessoa do outro lado da linha.

- Sim, desejas alguma coisa?

- Cem gramas de presunto, uma caixa de leite e 3 sonhos, se vocês ainda estiverem entregando a essa hora.

- Ela quer presunto, leite e sonho, o que eu respondo? – perguntou a Morte para sua anfitriã, divertindo-se com a brincadeira.

- Diz que o sonho acabou faz tempo. – Foram as últimas palavras da mulher.

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P.s.: estou postando pelo Word, provavelmente vai ficar "a little" mal formatado =p

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Everybody's trying to make us another century of fakers

[edit] sério, só não apago esse post por causa dos comentários D: [/edit]


Hoje vou postar minha redação de inscrição para o ICJr. Comecei num tempo vago e terminei na aula de física então dá pra dividí-la claramente em duas partes (a parte sem pressa e a parte com pressa; a parte ruim e a parte horrível, ou como quiserem u.u)
Achei muito fraca, mas digam ai =]
Avaliem ou comentem, rapaziada (tati diz: você fala essas coisas como se muita gente visitasse seu blog neh?!) u.u

O homem vestido de baleia chama uma garota de uns 9 anos na platéia e pergunta o que ela quer ser quando crescer. "Uma enferemeira" ela responde. Começa então a discursar mandando-a acreditar em seu sonho e exaltar a função das enfermeiras.

Onde estão os precoces nessas horas? E se ela dissesse 'prostituta', o que ele ia responder?! - "Believe"

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Texto 8

(des)marginalização

Vivemos numa sociedade que impõe o ser humano a crescer em determinada velocidade. Temos hora certa para começar a andar, parar de mamar, aprender a escrever e, a partir do dia em que nascemos ganhamos uma data fixa de amadurecimento anual. Não estou dizendo que não seja necessária, mas essa onda de imposições, esse padrão da evolução do ser somado com nossa sociedade excludente, 'estranhofóbica' acaba por acentuar a marginalização de pessoas fora-do-padrão. Agora, além do negro, do homossexual, passamos a ter a criança de 8 anos que mal sabe escrever o próprio nome, a gestante de 13, e o garoto com seus 16 mas sem nunca ter tido uma namorada. Os estranhos e excluídos começam a formar suas próprias tribos, dentro das próprias tribos começam a surgir novos padrões (um pouco mais flexíveis claro) e vamos caminhando nesse ciclo vicioso.

Pois bem, mas onde quero chegar depois de tanto fugir do assunto?

Desde os 10 anos quando entrei num curso para entrar no CAp, CPII e cia. (vale dizer que Cia. Não é sigla de colégio) as pessoas começaram a perguntar: "vai tentar entrar para o CAp?! Já sabe o que vai fazer na faculdade?". Nunca entendi muito bem a relação entre as duas coisas, mas com o passar do tempo o padrão vai dizendo que é hora do adolescente decidir seu futuro e as perguntas foram ficando cada vez mais freqüentes e variadas: "ouro nas olimpíadas de matemática?! Então vai pro lado da engenharia, não é?!" "Já ta no segundo grau?! Já decidiu o que vai fazer?". E agora sou eu que me pergunto:

"O que raios eu vou fazer na faculdade?"

Realmente não faço idéia. Queria fazer algo relacionado a escrever, ou talvez alguma coisa ligada à matemática, mas nenhuma idéia muito firme me veio até então. Exatamente por isso não posso esperar nada do ICJr., ou pelo menos nada muito objetivo. Vou optar pelo projeto que mais me chame a atenção e assim começar a ter uma idéia de resposta para a maldita pergunta. Caso contrário, daqui a pouco vou ser só mais um marginal, um garoto do ensino médio que não sabe o que vai fazer da vida, então melhor aproveitar enquanto ainda dá para dançar conforme a música.

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p.s.: Existe uma grande chance de essa redação ter sido feita à toa, diga-se de passagem, uma vez que eu devia ter entregue a muito tempo.
p.s.²: Sim, pode usar isso como mais um argumento para eu "cair no seu conceito" u.u
xP

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Ahá consegui fazer um post *-*

Hi folks o/
Venho tentando escrever algo mas não consigo, nada saia, sem a menor inspiração. E mesmo quando eu começava a escrever alguma coisa não dava certo, não é nem questão de gostar ou não, mas eu simplesmente não sentia que o texto estava completo. Ontem, quando eu estava indo dormir sou acometido pela idéia de escrever para a Inspiração. Eis aí que me deparei com algo que nunca havia percebido: o quanto a Inspiração é importante para mim e como eu me sinto mais completo com ela. O resultado é essa carta "enorme" aí em baixo. O que me encantou nela é que diferente do que eu esperava, realmente houve sentimento na carta sabe?! Sim, talvez eu seja maluco em escrever para um substantivo abstrato, mas se for, não ligo, morrerei na insanidade. =]

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Rio de Janeiro, 18/08/2008

Querida Inspiração,

antes de mais nada venho dizer que tenho percebido o quanto és importante para mim e o quanto me completas. Todos esses dias que tenho passado em sua ausência me têm sido verdadeiramente sufocantes, sinto muito a sua falta...

Porque me deixastes?

Haveria sido porque em 15 dias de viagem mal te dei atenção?! Não fiz por mal, eu estava empolgado, em outro país, me preocupei tanto em falar inglês e admito tê-la esquecido. Mas não creio que haja sido esse o motivo, sei que estiveras presente, naquela noite em que durante a festa conversamos sobre lazer alienado e ideologia, eu com o pouco que sabia de filosofia e tu com tuas grandes sacadas e idéias, realmente divertido. Então porque me deixastes?

Teria sido, talvez, por ciúmes? Desde que voltei de viagem,devo admitir, só te procurei para poder voltar a postar no blog, não pelo prazer de escrever. Por isso me deixaste? Não fiz por mal, juro. Sempre gostei de mostrar meus escritos para as pessoas e tu sabes bem disso. Assim sendo, o advento do blog acabou criando uma relação leitor-escritor, por assim dizer, demasiado agradável, cativou-me, assim como tu fizeste.

E se eu estiver falando besteira? E se não for o Blog. Foi então porque eu nunca te dera os créditos por nada que tenhamos escrito. Não o faço por mal, nunca tive a intenção de te tratar apenas como um objeto, um meio de produção. Porque nunca me avisates?

Foi isso não foi?! Foi no conjunto de todas essas minhas faltas que decidistes por me deixar. Por mais que sinta sua falta, não estás errada. Só agora vejo como falho contigo. Tu sempre ao meu lado e eu não dando o valor (bem tema de pagode não eh?!). É uma pena que eu só possa ver agora, que por mais abstrata que os outros te vejam, para mim és mais real do que o chão em que piso e não temo em dizer que te amo. E espero que não seja tarde para pedir

Volta para mim!

Saudades não me faltam. Da folha que escrevo ainda tenho o verso; na caneta, em minha mão, resta tinta, mas ainda não vale à pena escrever. Esperar-te-ei, então, todos os dias e noites que ainda estão por vir, pois somente “com você o meu mundo ficaria completo”.

Aguardo-te eternamente,

Thiago Gallego