domingo, 10 de maio de 2009
Ensaio sobre uma tarde de estudo de literatura
Mas que ironia, veja só.
terça-feira, 28 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Retrato de um primeiro grande amor.
Pego o telefone...
...toca, toca, toca, toca...
“Ahn... oi?!” Ela diz, como quem tem o dormir interrompido.
Suspiro aliviado. Desligo.
Para mim isso bastava.
domingo, 8 de março de 2009
Gafanhoto
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Gafanhoto
Nunca fui muito bom entendedor. Das letras eu não passava do pé. A maior parte das estórias de minha infância parte daí. Como o dia em que gripei brabo tentando tirar o cavalo da chuva, ou as vezes em que joguei água gelada na vaca esperando vê-la tossir. Ali estava o pé da letra, me chutando sem a menor consideração.
O caso do gafanhoto fora diferente, porém. Contarei o que lembro, inventarei o resto.
Tinha meus 13, 14 anos, e estava virando doido, segundo o pai. Tinham medo qu’eu tomasse o rumo do filho dos Rocha que desatou a reclamar da vida e acabou por tirar a própria. Algo me expulsava da realidade, fazia toda a minha vida parecer nada. Queria me sentir importante para alguém, precisava d’um aluno, um pupilo... “um gafanhoto”, disse a tia. Eis que minha ignorância e fé no pé da letra me levaram ao terreno, numa busca incessante pelos pequenos e saltitantes bichos verdes.
Não tardei muito a encontrar um, e logo tentava ensiná-lo os ofícios da fazenda. Ele não levava muito jeito, pequeno demais para alimentar as galinhas ou tirar o leite de Geniza todas as manhãs. Só fazia saltitar, meu gafanhoto relapso. Saltitar e paquerar, sempre fugia do trabalho para ter com alguma gafanhotinha ao leito do riacho.
Quando vi que não tinha jeito, abandonei meu aluno, abandonei o trabalho e tratei, também de vadiar. Sentei ao riacho, junto da menina da fazenda ao lado.
Conheci Maria naquele dia, naquele dia conheci o gostar.
Em pouco tempo já era amigo íntimo do amar. As tardes no riacho e na casa de Maria se fizeram mais comuns, assim como as tamancadas e castigos por fugir ao trabalho, aprendi bastante com meu gafanhoto. Não dava muita importância às reprimendas, agora eu tinha sonhos e planos. Queria ter uma casa com minha amada, filhos, e tudo o que eu entendia por uma boa vida. Até o pai já não me chamava de doido, era apenas “vadio”, agora. Me sentia melhor assim. Aqueles encontros nortearam minha adolescência por um tempo muito do bom.
Maria se foi com a família para a cidade algum dia, nunca mais a vi. A dor das tamancadas me fez voltar a trabalhar, a dor da perda também passou rápido, coisas da idade. Aos poucos, fui conhecendo novos tipos de amor (do amigo, do irmão, do desconhecido...). Passei a conseguir aguentar aquele vazio, desde então. Fui levando, tal qual um gafanhoto...
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Efemeridade :B
O bom de estar postando aqui depois de tanto tempo é saber que, ao menos no início, ninguém mais vai ler (não que lessem antes), então eu posso tentar escrever para mim mesmo e não para os outros, como ocorria com freqüência. A Björk disse, numa entrevista, que quando fazia uma música tentava fazer o que ELA considerava melhor, na letra, na melodia, num clipe. Disse que só nessa confecção egoística conseguia fazer o melhor para os fans. Faz muito sentido. A diferença, no meu caso, é que não há fans.
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Neo-epicurismo
Repito praticamente tudo o que digo.
Não sei por que e também nunca me interessara muito, até então.
Nunca me interessara muito.
Talvez seja para firmar as idéias que mudam sempre, como Angélica que pregou um sonho na cabeça.
Talvez seja para firmar as idéias que mudam sempre.
Mas ao que parece essas repetições não são o bastante. Ou, quem sabe, me faltem os sonhos...
Ou, quem sabe, me faltem os sonhos....
O fantasma do vazio me persegue e a falta de perspectivas me assusta.
O fantasma do vazio me persegue...
A vida se torna preocupante quando tudo o que você mais tem a querer num dia é comer gelatina com creme de leite.
A falta de perspectivas me assusta...
E isso eu nem preciso repetir para ter certeza.
Certeza!