quinta-feira, 27 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
p.s.:
Eu tinha que te matar. Estava escrito
no envelope que me entregaram. Estava escrito
“eu tinha que te matar” no envelope que me entregaram.
Perceba que, fosse outra a posição das aspas,
eu teria te matado
no envelope que me entregaram. Perceba que,
fosse outra a posição das aspas, matar seria “guardar
para sempre
no envelope”. Perceba que,
fosse outra a posição das aspas, eu não estaria
chorando.
Em que tragédia grega eu seria
descrito estranhíssimo
Prometeu
(prometi?)
pros alunos da PUC?
Em que tragédia grega o herói precisa matar
aquilo que não quer
matar? Qual é aquela em que o herói precisa matar
aquilo que quer
matar?
Tem a Bíblia.
O cara precisa matar
o filho. Não é Deus
- o pai, digo, não o filho. Não é Deus o pai.
O cara tem que matar o filho e não mata porque Deus
- que é o pai do filho
que não é o filho cujo pai
que tem que matar o filho
tem que matar –
impede. Porque Deus às vezes
parece esquizofrênico.
Não importa, porque
a Bíblia, a despeito de qual seja sua origem,
não é exatamente uma tragédia grega.
Minha vida também
não. E, talvez
, essa seja minha única chance.