"Na primeira edição do Bliss não tem Bis, fiz questão de me apresentar como alguém que não é poeta. O Lucas me deu uma baita bronca depois. E eu entendo.
Mas acho que a coisa é a seguinte: quero dizer que nada disso é maduro. Tudo impulso. Uma relação Thiago-papel, Thiago-teclado que acontece mais fácil de madrugada. Porque de madrugada as ideias acumulam no neurótico.
Se eu fizesse análise, seria de madrugada. É por isso que tenho tanta dificuldade em reescrever um poema. Porque antes de poema, é impulso.
Não tô reclamando, nem nada. Até aqui é assim. E é assim.
Acontece que eu escrevo e penso caramba, eu sou incrível. Porque ali eu sou. E nisso algo desvirtua no caminho thiago-papel e a vontade de mostrar pr'alguém.
Mas não se sustenta. Logo vejo caramba, era terrível. E me envergonho e não sei alterar e nem sei se vale a pena."
Em parte, isso é bem claro. Se eu escrevo, é porque ao longo do dia um tanto de coisa fica presa e perturba e pulula. Daí ou eu durmo e espero passar ou deixo vazar sob alguma forma. Então, se é poesia, é preciso ter claro que aqui a poesia é sintoma.
Não sei se qualquer dia me curo.
[Por curar não penso inocências, só numa relação menos reprimidoamedrontada com o mundo.]
Não sei se qualquer dia me curo. Mas se curo, certamente não escrevo mais (desse jeito).
Até que soa atraente poesia que não seja solidão.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Investigação acerca da identidade dessa jovem de 16 anos que parece se chamar Ana Cristina
17.10.68
Forma sem norma
Defesa cotidiana
Conteúdo tudo
Abranges uma ana
*
Soneto
Pergunto aqui se sou louca
Quem quem saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu
Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida
Pergunto aqui meus senhores
Quem é a loura donzela
Que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?
*
Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma vida branca
e limpa à minha espera:
*
Estou atrás
do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra
*
Mancha
Tenho 16 anos
Sou viúva
De família azul
De cabelos esvoaçantes
(E nada rebeldes)
Sou genial sob todos os pontos de vista,
Inclusive de perfil
A poesia é uma mentira, mora.
Pelo menos me tira da verdade relativa
E ativa a circulação consangüínea
A Pedra Filosofal é um tanto ou quanto besta
Plutarcoplatãopauto
Plutãoturcotãopauto
Platocotãopuloplau
Desisto: tenho 16 anos.
E perdi-me agora rabiscando-re.
*
(de "Inéditos e dispersos")
***
Eu, novamente Thiago, declaro: estou encantado.
Sem mais.
Forma sem norma
Defesa cotidiana
Conteúdo tudo
Abranges uma ana
*
Soneto
Pergunto aqui se sou louca
Quem quem saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu
Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida
Pergunto aqui meus senhores
Quem é a loura donzela
Que se chama Ana Cristina
E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?
*
Tenho uma folha branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma cama branca
e limpa à minha espera:
mudo convite
tenho uma vida branca
e limpa à minha espera:
*
Estou atrás
do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra
*
Mancha
Tenho 16 anos
Sou viúva
De família azul
De cabelos esvoaçantes
(E nada rebeldes)
Sou genial sob todos os pontos de vista,
Inclusive de perfil
A poesia é uma mentira, mora.
Pelo menos me tira da verdade relativa
E ativa a circulação consangüínea
A Pedra Filosofal é um tanto ou quanto besta
Plutarcoplatãopauto
Plutãoturcotãopauto
Platocotãopuloplau
Desisto: tenho 16 anos.
E perdi-me agora rabiscando-re.
*
(de "Inéditos e dispersos")
***
Eu, novamente Thiago, declaro: estou encantado.
Sem mais.
domingo, 21 de julho de 2013
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