quarta-feira, 31 de julho de 2013

Outrora escrevi

"Na primeira edição do Bliss não tem Bis, fiz questão de me apresentar como alguém que não é poeta. O Lucas me deu uma baita bronca depois. E eu entendo.
Mas acho que a coisa é a seguinte: quero dizer que nada disso é maduro. Tudo impulso. Uma relação Thiago-papel, Thiago-teclado que acontece mais fácil de madrugada. Porque de madrugada as ideias acumulam no neurótico.
Se eu fizesse análise, seria de madrugada. É por isso que tenho tanta dificuldade em reescrever um poema. Porque antes de poema, é impulso.
Não tô reclamando, nem nada. Até aqui é assim. E é assim.
Acontece que eu escrevo e penso caramba, eu sou incrível. Porque ali eu sou. E nisso algo desvirtua no caminho thiago-papel e a vontade de mostrar pr'alguém.
Mas não se sustenta. Logo vejo caramba, era terrível. E me envergonho e não sei alterar e nem sei se vale a pena."

Em parte, isso é bem claro. Se eu escrevo, é porque ao longo do dia um tanto de coisa fica presa e perturba e pulula. Daí ou eu durmo e espero passar ou deixo vazar sob alguma forma. Então, se é poesia, é preciso ter claro que aqui a poesia é sintoma.
Não sei se qualquer dia me curo.
                          [Por curar não penso inocências, só numa relação menos reprimidoamedrontada com o mundo.]
Não sei se qualquer dia me curo. Mas se curo, certamente não escrevo mais (desse jeito).

Até que soa atraente poesia que não seja solidão.

Investigação acerca da identidade dessa jovem de 16 anos que parece se chamar Ana Cristina

17.10.68
Forma sem norma
Defesa cotidiana
Conteúdo tudo
Abranges uma ana

*

Soneto

Pergunto aqui se sou louca
Quem quem saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
Quem é a loura donzela
Que se chama Ana Cristina

E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil?

*

Tenho uma folha branca
                                     e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma cama branca
                                     e limpa à minha espera:
mudo convite

tenho uma vida branca
                                     e limpa à minha espera:

*

Estou atrás

do despojamento mais inteiro
da simplicidade mais erma
da palavra mais recém-nascida
do inteiro mais despojado
do ermo mais simples
do nascimento a mais da palavra

*

Mancha

Tenho 16 anos
Sou viúva
De família azul
De cabelos esvoaçantes
(E nada rebeldes)
Sou genial sob todos os pontos de vista,
Inclusive de perfil
A poesia é uma mentira, mora.
Pelo menos me tira da verdade relativa
E ativa a circulação consangüínea
A Pedra Filosofal é um tanto ou quanto besta
Plutarcoplatãopauto
Plutãoturcotãopauto
Platocotãopuloplau

Desisto: tenho 16 anos.
E perdi-me agora rabiscando-re.


*

(de "Inéditos e dispersos")

***

Eu, novamente Thiago, declaro: estou encantado.
Sem mais.


É dia chuvisco
e como fisco
peço a deus
devolva o riso
que literatura roubou
dos céus nublados

Em dádiva:
parcelamento
posto usufruo
petit tormento
pra forjar
uns versos

Mas se anuncia
moratória
embargo oração
a oratória
visto mesmo
um em tantos
'seguro faltar
à providência
meu papo
minha demência

domingo, 21 de julho de 2013

Parabel

Fodido é aquele que