quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Em escala de arrogância e egoísmo.
Acima da arrogância.
Acima do egoísmo.
Ali, a solidão.


Ou "Carta escrita mas nunca enviada":

Caramba, Clara, faz tempo eu tinha decidido ia te escrever uma carta. Agora pensei: carta que nada, a boa é escrever logo o roteiro. Mas eu não consigo, eu não acredito em mim.
É um saco e um saco porque eu não posso criticar a população média que assiste comédias românticas. Porque eu vejo Les Chansons d’Amour e no final o Garrel tá sozinho e é uma solidão que a gente nota no corpo e fica mal por ele, mas chega a menina ela chega e leva ele pra casa do garoto, pro quarto do garoto lindo, apaixonado disposto que diz: você deve aceitar eu te amo.
E agora, caralhos, pra entender, ninguém vai surgir me amparar as costas, levar pra casa do garoto e dizer, tá tudo bem.
Eu sou uma criança, eu vivo no princípio de prazer, eu não sei se qualquer dia vou ser capaz de fazer qualquer coisa, eu tô mal.
Faz uma semana e pouco eu tenho bebido todo dia e tava achando engraçado, divertido manter a sequência, arranjar uma desculpa pra beber feito orgulhoso de bater o próprio recorde (nem sei se é recorde mesmo). Daí hoje disse de brincadeira: é quase princípio de alcoolismo e é quase verdade.

E na real não sei por que te escrevi tudo isso. ):

Eu precisava falar com alguém e a ideia de uma pessoa na Itália é o mais distante que consegui chegar. E olha que tem tanta gente tão mais distante a dois cômodos de distância...

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