Em escala de arrogância e egoísmo.
Acima da arrogância.
Acima do egoísmo.
Ali, a solidão.
Ou "Carta escrita mas nunca enviada":
Ou "Carta escrita mas nunca enviada":
Caramba, Clara, faz tempo eu tinha decidido ia te escrever
uma carta. Agora pensei: carta que nada, a boa é escrever logo o roteiro. Mas
eu não consigo, eu não acredito em mim.
É um saco e um saco porque eu não posso criticar a população
média que assiste comédias românticas. Porque eu vejo Les Chansons d’Amour e no
final o Garrel tá sozinho e é uma solidão que a gente nota no corpo e fica mal
por ele, mas chega a menina ela chega e leva ele pra casa do garoto, pro quarto
do garoto lindo, apaixonado disposto que diz: você deve aceitar eu te amo.
E agora, caralhos, pra entender, ninguém vai surgir me
amparar as costas, levar pra casa do garoto e dizer, tá tudo bem.
Eu sou uma criança, eu vivo no princípio de prazer, eu não
sei se qualquer dia vou ser capaz de fazer qualquer coisa, eu tô mal.
Faz uma semana e pouco eu tenho bebido todo dia e tava
achando engraçado, divertido manter a sequência, arranjar uma desculpa pra
beber feito orgulhoso de bater o próprio recorde (nem sei se é recorde mesmo).
Daí hoje disse de brincadeira: é quase princípio de alcoolismo e é quase
verdade.
E na real não sei por que te escrevi tudo isso. ):
Eu precisava falar com alguém e a ideia de uma pessoa na
Itália é o mais distante que consegui chegar. E olha que tem tanta gente tão
mais distante a dois cômodos de distância...
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