segunda-feira, 17 de outubro de 2011

p.s.:

Eu tinha que te matar. Estava escrito

no envelope que me entregaram. Estava escrito

“eu tinha que te matar” no envelope que me entregaram.

Perceba que, fosse outra a posição das aspas,

eu teria te matado

no envelope que me entregaram. Perceba que,

fosse outra a posição das aspas, matar seria “guardar

para sempre

no envelope”. Perceba que,

fosse outra a posição das aspas, eu não estaria

chorando.


Em que tragédia grega eu seria

descrito estranhíssimo

Prometeu

(prometi?)

pros alunos da PUC?


Em que tragédia grega o herói precisa matar

aquilo que não quer

matar? Qual é aquela em que o herói precisa matar

aquilo que quer

matar?


Tem a Bíblia.

O cara precisa matar

o filho. Não é Deus

- o pai, digo, não o filho. Não é Deus o pai.

O cara tem que matar o filho e não mata porque Deus

- que é o pai do filho

que não é o filho cujo pai

que tem que matar o filho

tem que matar –

impede. Porque Deus às vezes

parece esquizofrênico.


Não importa, porque

a Bíblia, a despeito de qual seja sua origem,

não é exatamente uma tragédia grega.

Minha vida também

não. E, talvez

, essa seja minha única chance.

Um comentário:

Pedro disse...

você é foda, thiago