Os dias passavam despercebidos, ofuscados pelo descontentamento. Normalmente a vida era assim, no palácio dos sonhos perdidos. Ela estava lá, fazendo companhia às abelhas enquanto andava de um lado para o outro com o olhar sem rumo que conservava a anos. Até que finalmente veio a Morte.
- Veio rir mais um pouco da minha desgraça?
- Rir? Já me diverti o bastante, devo admitir. – Disse a Morte enquanto olhava para as cicatrizes no corpo da moça.
- Porque não me levou antes.
- Foi tu mesma quem me pediste, não te recordas? Aliás, estava tão feliz, sorriso na face, rumo no olhar... O que te deixaste nesse estado?
Enquanto a morte caia na gargalhada, a moça tentava conter seu pranto.
- Nós estávamos felizes juntas. Pela primeira vez eu entendi o que era amor de verdade. Deixei até de ligar para o que os outros pensam, tínhamos planos, eu finalmente tinha algo no que acreditar. Então veio você.
- E o que de errado eu fiz?! Me imploraste por tempo, dei-te tempo de sobra para prosseguir com tua felicidade. Mas eu tinha que cumprir minha meta, tinha que levar mais alguém naquele dia.
- Essa era a sua intenção desde o início, nunca pretendera me dar uma chance não foi?!
- Não sou de planejar as coisas, ela estava por perto na hora, tu tinhas pedido para ficar... Teu problema é da alçada do Destino, não me pertence. Tem gente que ele não quer que seja feliz, entendes?!
- Mas então porque não me levou quando quis ir?
- Fala dessas cicatrizes aí?! Eu disse que ia te dar tempo e dei, se resolveste desistir no meio do percurso não foi culpa minha.
- Você gosta de ver sofrimento não gosta?
- Quando se tem a minha idade, acaba sendo inevitável se deixar levar pela insanidade e pelo sadismo, esperava que fosses capaz de compreender...
- Vamos ou não?!
- O telefone está tocando, ainda há tempo de atender.
- Estou prestes a morrer! Quem liga para os clientes?
Mas a morte já estava com o telefone no ouvido.
- Aí é do Palácio dos Sonhos? – perguntou a pessoa do outro lado da linha.
- Sim, desejas alguma coisa?
- Cem gramas de presunto, uma caixa de leite e 3 sonhos, se vocês ainda estiverem entregando a essa hora.
- Ela quer presunto, leite e sonho, o que eu respondo? – perguntou a Morte para sua anfitriã, divertindo-se com a brincadeira.
- Diz que o sonho acabou faz tempo. – Foram as últimas palavras da mulher.
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P.s.: estou postando pelo Word, provavelmente vai ficar "a little" mal formatado =p
4 comentários:
Olá! Tudo bem? Achei teu orkut não lembro onde, daí fui fuçando até dar de cara com o blog. Fazia tempo que não lia um que prestasse, sabia? Gostei bastante do texto, só faria mais uma revisãozinha, pra dar uma polida nele. Ah, antes que eu esqueça, não é propriamente uma REDAÇÃO no sentido usual da palavra, não? (Digo, aquela que a gente faz pra defender um ponto de vista...). Parece mais um conto, pra mim. De qualquer forma, tá muito bom! Te cuida, abraço!
Ramiro
http://traindoarazao.blogspot.com/
Ahhh, agora lembrei. :P
Bom, não precisa agradecer, tu fez por merecer. Continua postando textos no teu blog, vou adicionar aos meus links.
Quanto à redação, não é que esteja errado, mas o sentido USUAL da palavra é um texto dissertativo, entende? xD
ashuasusahsa
Te cuida, abraço!
belo texto. à tempos não lia algo assim. (?) thiago, você se supera a cada dia. hehe
adorei o texto mesmo, o conteúdo, o assunto... enfim, o a ligação d nada fazendo a "brincadeira" me fez rir e tirou um pouco daquela "coisa impactante"... então, vieram as últimas palavras da mulher, e voltou a ser impactante. asjeiesaheashiuh' adorei mesmo ;3
É tão triste ver alguém perder a esperança assim na própria vida... Adorei o trocadilho final, ficou super bacana^^!!! E isso foi tão triste...quase À ponto de me fazer chorar - teria feito, se não houvesse tanta coisa tirando minha concentração deste lado da tela..^^
Fabuloso!
Mais uma vez, meus parabéns, caro amigo. (Posso chamá-lo de amigo?)
Alétheia Sophia
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