sexta-feira, 9 de maio de 2008

Retorno

Prezados leitores.
Antes de mais nada gostaria de me desculpar pelo longo tempo sem novas postagens. Em parte estive enrolado. Em parte não tive inspiração, em parte tive preguiça. Mas agora, realmente, não estou tendo tempoo acabei de passar por uma semana com bilhões de testes e estou entrando em semana de provas, mas quem diria que em meio aos trabalhos eu acabaria sendo obrigado a escrever?! Então resolvi aproveitar e postar. Até porque adorei escrever de novo, mesmo tendo ficado horrível xD
Era um trabalho de filosofia, a proposta era escrever um mito e a idéia que a professora deu era que o mito fosse relacionado ao rio de janeiro, tema do projeto da folha dirigida de 2008, para poder selecionar algumas histórias para o livro. Eu estava até contente com a minha redação, até que alguém leu a sua e estava tão boa que eu me senti um lixo u.u mesmo assim adorei ter escrito e vou postar =P

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Texto 3

Latido de Janeiro

Ser um deus nunca havia sido muito agradável. Caos era só. Seu trabalho era criar e cuidar. De início criava apenas “coisas”: montanhas, lagos, cachoeiras e, sempre que queria “mexer” nelas, o fazia por meio de ventos, tremores de terra, ou seja, intermédio da natureza. Mas sempre soube que algum dia, isso se tornaria chato.

Esse dia chegou. E foi tomado pelo tédio que teve a idéia de implantar em criar coisas com pedaços de si próprio dentro. Como resultado obteve aquilo que hoje conhecemos por vida. Foi aperfeiçoando seus seres cada vez mais e adorava ver a forma como resolviam seus problemas. Achava divertido colocá-los em situações diferentes só para ver como sairiam, afinal eles tinham apenas parte de um deus, não eram um. Como aquilo era divertido...

O tempo foi passando, e embora sua “vida” não fosse mais tão tediosa, agora sofria de um mal diferente. Solidão. Seus seres eram engraçados, mas eram ingratos. No curto período em que a parte de caos sobrevivia fora do todo os seres só se preocupavam em alimentar seus desejos. E aquele que os havia criado com um pedaço de si próprio? Já haviam tentado conversar com ele? Já haviam notado sua presença, ou será que não era muito importante? E foi em meio a essa revolta que resolveu acabar com a vida, acabar com as coisas destruir de uma vez por todas o planeta do qual cuidava.

Mas um som inesperado interrompeu seu plano. Era um latido. Mas não um latido comum, aquele era direcionado, aquele latido era para Caos. Pela primeira vez um ser se dirigia a ele. E foi assim, tão de repente como o som, que esqueceu seu remorso e perdeu sua cólera. E dedicou todo o seu tempo a seu novo amigo. Como estava feliz, como era bom. Um cachorro e seu deus, um deus e deu cachorro. Dois amigos.





E foi inebriado de felicidade que Caos deixou de se atentar ao inevitável problema que viria a enfrentar. O Cão não era como ele. O cão era mortal e foi justamente por isso, que este abandonou a vida. Foi justamente por isso que o cão abandonou seu amigo, mergulhando este numa eterna tristeza. Mergulhando a Terra numa eterna tristeza.

Tentando entender o ar de tristeza que os envolvia, os seres pela primeira vez conseguiram ver seu deus. Tentaram ajudá-lo. Aliviar sua dor, mas já era tarde. As coisas nunca mais seriam as mesmas. Caos nem mais olhava para os seres, não via nada, apenas a morte do único ser a quem amou. Precisava se livrara daquela dor.

Até que chegou a conclusão de que a única forma de esquecer a tristeza, era livrar-se de todo o amor que sentia. Mas onde o depositaria? Achou um lugar até então vazio e lá, deixou todo o seu amor e junto com ele todas as suas memórias.

Mais tarde conhecida como cidade maravilhosa, uma cidade criada unicamente pelo amor, uma cidade que curiosamente tem a forma de um cachorro. Foi ali que Caos deixou seu mais nobre sentimento.

Ser um deus era novamente uma fonte de tédio. Agora que a tristeza não mais acontecia, muitos seres voltaram a ignorar a presença de caos, é claro que muitos ainda tentam divulgar, mas nenhum se dirigia a ele. Mas isso não importava pois ele descobriu um lugar onde esquecia sua tristeza ou fúria e era tomado por um sentimento muito bom, algo familiar, mas que não sabia explicar. Caos estava provando do próprio amor.

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Grande abraço a todos.

Um comentário:

alice disse...

não estás só, caos.