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Governanta
A porta do taxi se abriu e ela desceu. Imaginava seria apenas mais uma, nunca esperei que fosse mudar a minha vida. Laura era seu nome. "Mas pode me chamar de Berê" me diria mais tarde. Fechei a cortina novamente e voltei ao videogame, sabia que ela se apresentaria aos meus pais e eles logo viriam apresentá-la a mim. Mas não me importava muito, nunca me importei, nunca gostei muito delas. Se instalavam em nossa casa sem nunca nos ter visto antes, cuidaria de mim e de alguns assuntos da casa para no final do mês ter seu pagamento. Não era nada pessoal, mas nunca achei que fosse um emprego para um ser humano, quer dizer, ela teria que cuidar de mim e da casa como mesmo zelo como se não houvesse diferenciação de um para outro. Talvez não houvesse mesmo, mas é desesperador considerar essa hipótese, até porque a casa não tem sentimentos, não acho que ela ficaria triste se eu recebesse só um pouco mais de atenção. Não era como acontecia com meus pais. Todos sabiam que eles preferiam o trabalho a mim. Isso não era reconfortante, claro, mas era bom saber, ao menos, que eles eram humanos.
Já estava atrasada no dia seguinte quando veio me acordar. Encontrou-me pronto.
-Bom dia Julian! Acabei dormindo demais, desculpe – Ela disse, de forma tão leviana que me irritou. Não se preocupava se eu perderia a hora ou não.
-Tudo bem, já estou pronto. – Respondi fingindo não dar a mínima.
De início ficou apenas me observando como se não soubesse o que dizer. Até que esboçou um sorrisinho e deu uma piscadela. Então se retirou. Não entendi muito bem. Ela estava conseguindo me intrigar. Talvez fosse proposital, mas nenhuma havia feito isso antes e, embora não soubesse o porquê, eu estava gostando.
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