Acontece que vocês, quando escrevem, tem isso se entregar, se revelar, transformar a própria vida em poesia - ou mesmo apenas "poesia" no lugar do verbo viver, do substantivo vida.
Eu não consigo. Por isso tento ficcionar um outro jamais existente.
Acontece que não funciona assim, certo? Vivo o mundo através de mim mesmo e talvez só me deixando expressar, daria voz para o mundo, para qualquer coisa.
Mas não consigo. Sou capaz de falar apenas de mim sem falar de mim em momento algum - o paradoxo narcisista.
Escrevo, então, o que sobra.
Nada, vazio.
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